sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Campanha de valorização do MARCENEIRO ARTESÃO


Nós do Grupo do Facebook Marcenaria BRASIL estamos promovendo uma campanha de valorização do pequeno produtor marceneiro que possui oficina própria e uma pegada artesanal. Nossa proposta é que os marceneiros passem a assumir de vez o rótulo de artista que já pesa em suas costas e comece a invadir as mídias seguindo os passos dos grandes Cheffes de Cozinha que hoje são verdadeiros astros.

Obviamente que para isso acontecer este marceneiro precisa transcender sua função passando a vender algo mais do que meros móveis copiados de seus concorrentes. Ele precisa passar a criar suas próprias peças e soluções, passando assim a competir com os designers e arquitetos que dominam o setor.

Uma maior capacitação é primordial, pois este profissional precisa dominar todo o processo, desde a arte de criar, projetar e vender; passando pela produção primorosa; entrega e montagem de nível e chegando ao pós-venda bem elaborado. Mas além disso tudo é obvio que é preciso dominar as técnicas antigas em contraste com as atuais, juntar o velho com o novo. Nisso podemos incluir o domínio da ferramenta 3D, projetos executivos e planos de corte em conjunto com o desenho à mão sempre que necessário na hora de esboçar uma ideia. A CRIATIVIDADE passa a ser a palavra chave.

Debatendo inBox como o nosso amigo de grupo, o marceneiro José Benedito Polleto proprietário da Wood Serrana de Moveis e Artesanatos LTDA de Serra Negra-SP ficou evidente que esse seria o melhor caminho.


“Pra mim estamos encontrando uma meta!”

“Mas isso vai exigir mais qualificação de todos, pois não basta apenas cobrar mais caro.”

Nesta conversa concluímos que é impossível excluir a influência e participação dos nossos irmãos designers e arquitetos, no fim serão eles que abraçarão melhor a ideia, muitos vão passar a meter a mão na massa em busca de um diferencial, de agregar valor às suas criações, ao seu nome. Poucos marceneiros querem enfrentar os holofotes, pois eles curtem a tal da humildade de merda que os mantém na zona de exploração.

Polleto citou que já produziu para a Tock&Stock, reclamou que a marca de sua marcenaria nunca era citada, apenas do designer internacional que criou a peça...

Isso só corrobora com o que estamos defendendo: Precisamos passar a criar nossas próprias peças e lançar nossa marca no mercado, invadir e disputar espaço na mídia, enfrentar os holofotes para fazer o nosso nome, o nome de nossa empresa. Explorar a produção sob medida, a exclusividade e a pegada mais humana no atendimento é o canal. Fazer disso o nosso diferencial além da qualidade dos materiais utilizados e o resultado final surpreendentemente simples e sofisticado.

 “...o mercado ta aí pra todo mundo, esperar que as grandes empresas façam seu nome é pior do que acreditar no Coelhinho da Páscoa.”

Para que a coisa funcione este novo perfil de marceneiro precisa, antes de mais nada, aprender que copiar é antiético, é errado. Pois por enquanto a maioria dos marceneiros acham normal COPIAR e querem ser valorizados pela capacidade de produzir tais peças com perfeição, mas o mercado não valoriza isso, fato.

Conversei bastante com o marceneiro Márcio Rangel da Rangel Móveis Planejados de Itu – SP que também ficou bastante empolgado com a ideia.


“Quando você não tem medo de cobrar, você seleciona naturalmente seus clientes e começa a pegar os melhores... Tudo começa com a sua atitude!”


Obviamente que agregar valor vai além do simples ato de cobrar mais caro, é preciso fazer por onde. E investimento pesado em marketing é o caminho, mas isso precisa ser muito bem planejado, é um processo demorado que muitas vezes exige uma boa consultoria.

Mãos à obra meus caros!

Marcenaria na veia, é nóis! hehehe

www.marianomoveis.com.br


(Atualização 28/01/2015)

Estávamos debatendo este tópico no Grupo Marcenaria BRASIL e o Arquiteto Cezar Augusto de MG levantou outro ponto de vista sobre como valorizar o trabalho das pequenas marcenarias artesanais que possuem a capacidade de produzir peças mais exclusivas.

Parceria com designers e arquitetos seria o caminho mais fácil proposto por ele, caminho este que ele já está colocando em prática.

Gostei tanto que achei interessante atualizar esta matéria com mais este complemento.

Segue o depoimento dele postado no grupo:

“Eu trabalhei um tempo em uma giga marcenaria aqui de minas e saí porque queria desenhar e não gerenciar produção. Apesar de arquiteto, meu grande prazer é desenhar móveis. Passei dois anos com escritório, fazendo projetos de casas, reformas, ano passado que eles começaram a ganhar forma, sair do papel e consegui reaproximar da marcenaria. E na busca por uma marcenaria parceira, uma das coisas que pesa é o orçamento. Sempre tem quem faz mais barato, mas não necessariamente bem, mas é difícil explicar isso pro cliente. Então eu tive a ideia de mudar de jogo, partir pra fabricar o móvel, pois seria a garantia de que conseguiria chegar num valor que eu achasse justo e que atendesse ao cliente.

Passei um ano analisando diversas franquias de planejados, e nenhuma chegou nem perto das possibilidades, acabamento e diversidade de uma marcenaria. Então no fim do ano passado surgiu a ideia de “gourmetizar” uma pequena marcenaria que fez muito serviço pra mim. A gente já tinha uma ligação legal e uma parceria de trabalho e o marceneiro sempre me chamava pra desenhar os projetos mais 'sofisticados' que ele pegava, pra impressionar mais o cliente. Então eu propus que meu escritório virasse uma extensão 'gourmet' da marcenaria dele. Trabalharíamos com outro nome, outro conceito e outro público. Ele continuaria tendo o cliente 'comum' dele, que procura a marcenaria diretamente e discute, sem projeto muitas vezes, um móvel; e eu focaria num outro tipo de cliente potencial, e seria uma espécie de revendedor da marcenaria, com assinatura, outra penetração de mercado...

Estamos caminhando bem, acertando os passos, já fizemos os primeiros projetos, mas achei que foi uma iniciativa bacana pra valorizar essa ideia da marcenaria artesanal sem ter que perder os clientes ou reestruturar por completo a marcenaria, na base da parceria e do domínio do conhecimento.

Pra mim é ótimo, levanto cedo, vou a marcenaria, discuto projeto, vejo o que precisa ser otimizado o que vai funcionar mal, consigo acesso a um cliente diferente do cliente tradicional da marcenaria... Todos saímos ganhando (esperamos)...”
(Cézar Augusto)


Cézar Augusto

Arquiteto e Urbanista formado pela UFMG

E atualmente estudante de Mestrado em Ambiente 
Construído e Patrimônio Sustentável em UFMG

De Itabirito – MG