quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Marcenaria Naval, um breve deslumbre desta área:



Bom... Vou me apresentar aqui e dar um apanhado geral em uma das minhas atividades na marcenaria que é a Marcenaria Naval.

De forma breve vou fazer uma explanação dos diferencias em relação a Marcenaria Civil, falar um pouco sobre a forma de trabalho, mão de obra e ambientar nosso terreno de trabalho.

Eu sou o Marcello, trabalho no ramo de marcenaria fazem mais de 30 anos, já estive como funcionário, já fui autônomo e já tive meu próprio negócio no ramo. Há cerca de 4 anos atrás iniciei o trabalho com a empresa que possuo agora a Art Max, na cidade de Guarujá que trabalha também no ramo civil, mas tem como pilar principal a Marcenaria Naval.

Em geral prestamos serviços em qualquer embarcação, mas grande parte dos trabalhos estão focados nos barcos de passeio. Sendo assim vou basear meus comentários pensando mais nessa vertente.





Algumas problemáticas são idênticas as da marcenaria com o foco em móvel para residências, porém no decorrer do texto dá pra perceber as diferenças surgindo.

É válido começar pelos ambientes em que se vai trabalhar e em que isso implica no nosso trabalho. A embarcação não é uma casa, não tem paredes retas, raramente os pisos estão nivelados, então pra começo de conversa já é interessante saber que quem vai arrumar isso é o marceneiro no inicio da construção de paredes e estruturas básicas. Considerando que o barco só "vem" com as paredes externas (fibra ou alumínio) é importante lembrar que as paredes que dividem ambientes interno são todas de madeira também e de novo cabe ao marceneiro a construção e fixação dessas paredes.

Na seqüência podemos falar dos materiais usados. Enquanto na marcenaria civil o MDF veio com força e reina soberano, na naval ainda se trabalha e muito com madeira maciça e compensado naval, laminas de madeiras, os folheados e fórmica. Outra necessidade nesse meio são as colas, por muitas vezes vai ser necessário "travar" uma estrutura em superfícies diferentes da madeira pode ser geralmente a fibra ou alumínio, então é necessário um adesivo que seja aderente as duas superfícies, geralmente se usa um adesivo elástico mais conhecido pela marca Sikaflex.

Obs: Vale frisar que o Sika não é usado somente por causa das diferentes superfícies, mas pela elasticidade, diminuindo possíveis vibrações e os impactos dos atritos do barco navegando.

Na parte de mão de obra existe um problema tão grande quanto ou talvez maior que na marcenaria civil, se já é difícil uma formação para marceneiro civil na área naval é impossível, pois que eu saiba não existe uma "Graduação" para tal. Então os profissionais da área ou simplesmente são profissionais que começaram leigos e ficaram na área o suficiente para se aprimorar, ou marceneiros civis que migraram e se adequaram as diferenças. Então existe uma grande defasagem principalmente de novos profissionais na área.


Na parte da construção da mobília mesmo, o importante é frisar que geralmente muitos ajustes têm de ser feitos, pois ainda que o barco tenha um projeto (o que não é sempre), e que esse projeto seja muito bom, existe uma serie de fatores que influenciam. Na embarcação todas as tubulações e cabos são escondidos ou passam dentro da parede, ou passam dentro de algum móvel, então lembrando que o marceneiro que fez as paredes... De qualquer forma quem vai ter que abrir esses espaços é ele mesmo, sendo que como eu disse nem tudo transcorre como no projeto inicial, alias quase nunca. Então o marceneiro sempre terá que se comunicar com os demais profissionais no andamento da obra, tendo que estar ciente de tudo que vai passar aqui e ali na embarcação, pra não estar perdendo peças ou deixando algo sem solução.

Acho que deu pra dar uma explanada bem de leve no ambiente de trabalho, é claro que isso é um apanhado BEM superficial das coisas, mas quem tiver qualquer dúvida ou curiosidade sobre algo, que eu falei ou até que eu não falei, é só entrar em contato.



Marcello Cruz
Proprietário da Art Max Marcenaria
Guarujá - SP