quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Marcenaria x Tecnologia x Capitalismo



Trechos retirados do debate no extinto grupo 
Marcenaria Moderna em 23/10/2013.
Sei que ficou um pouco estranho, pois salvei apenas minhas 
respostas, mas dá pra entender. hehehe


Num debate com o Consultor Anderson Martins que é um defensor ferrenho da modernização indiscriminada da marcenaria eu levantei estas questões em oposição:

O Anderson está divagando... Por mais evoluído e automatizada que seja a metodologia ela sempre dependerá do fator humano (salvo a possibilidade de uma futura inteligência artificial). A única diferença é a quantidade cada vez menor e mais especializada de seres humanos necessários para realizarem os processos. Fato!!! Mas o fator humano se mostra sempre presente... Fora que está busca alucinada dos empresários buscarem formas de eliminar a necessidade da mão de obra e diminuir o quadro de funcionários é uma filosofia ultrapassada, antiquada. Observando por uma ótica macro e coletivista podemos afirmar que é um tiro no pé, de forma análoga ao que os ingleses fizeram com a questão da escravidão, eis que esse caminho podemos classificar como um retrocesso, já que como consequência teremos homens livres, porém desempregados incapazes de consumir os produtos industrializados produzidos em escala cada vez maior.

Como podemos analisar, o que parecia ser o caminho mais inteligente e até óbvio se mostra um suicídio econômico que favorece as desigualdades sociais e cultiva os ciclos das crises mundiais. Obviamente que este é apenas um fator entre tantos. Muitos estudiosos defendiam que a sociedade é um organismo vivo que age e reage independente da vontade dos seres humanos. Seguindo esta premissa fica fácil entender porque o artesanal, as microempresas e as atividades autônomas estão ganhando cada vez mais evidência... É obvio que todo sistema busca o equilíbrio entre os oposto, então esta é a forma da sociedade equilibrar o advento da tecnologia com a economia. Se tudo for automatizado a sociedade como conhecemos será dizimada e poucos restarão.

Por outro lado aplicando o darwinismo com sua teoria da seleção natural podemos fazer uma analogia. Poucas pessoas possuem imunidade contra o HIV, se ele dizimasse da face da terra todos os não-imunes teríamos uma verdadeira catástrofe, porém esses poucos sobreviveriam, se reproduziriam e passariam sua imunidade para seus descendentes pela herança genética e rapidamente povoariam todo o planeta novamente. Mas aí no meio do caminho o vírus, dentro do seu direito e dever, sofre mutação e lá se vai a imunidade dos ESCOLHIDOS pro quiabo!!! ............. Como podemos ver aplicar a lei do mais forte ou mais adaptado sobrevive na economia é um tiro no pé, pois sempre haverá um equilíbrio entre os opostos. Conclusão: velhos métodos são tão importantes para a economia quanto os novos, um não sobrevive sem o outro. O importante é que todo mundo viva feliz com o caminho que escolher.

Conclusão[2]: Na minha opinião o capitalismo como é conhecido não sobreviveria ao predomínio da tecnologia. Para isso teríamos que transcender do capitalismo para outro regime. Seria um caso de neo-capitalismo ou quem sabe ressuscitar o socialismo... Será???? hehehe Já passou da hora, mas nossa sociedade não está preparada...

Bom... Minhas postagens anteriores foram um deslumbre, como acentuei muito bem no início, sobre interdependência entre o moderno e o antigo (ou artesanal, que seja) assumindo um ponto de vista macro em relação à sociedade a nível global. Mas que isso é culpa do sistema capitalista que caso não seja adaptado ao advento tecnológico, eis que a evolução tecnológica sempre será boicotada. Um funcionário despedido de uma marcenaria que automatizou sua produção fatalmente abrirá uma portinha e tocará uma produção artesanal em pequena escala aos trancos e barrancos e o ciclo será sempre alimentado, pois este cidadão continua existindo e também precisa comer e pagar suas contas. O que eu quero dizer é que isso barra a continuidade da evolução da empresa maior e automatizada por consequência e no fim todos continuam comendo merda atolados até o pescoço. O capitalismo é uma merda e todo mundo tá comendo e cagando junto...

Mas sobre esta questão que fábrica e marcenaria estão se fundindo como o Anderson Martins defendeu aqui concordo plenamente. Que em breve qualquer marcenaria fundo de quintal vai possuir uma seccionadora ou quem sabe até um centro de usinagem é fato previsível, que isso de forma alguma vai representar o fim do artesanal, pois na mesma oficina a plaina manual vai dividir tarefas com o CNC, mas teimo que NADA mudará! As empresas vão continuar endividadas e lucrando a mesma ninharia de sempre, infelizmente!!!

Sim! Eu critico os CEV (Caixoteiros Engessados Viajantes)! rsrsrs Mas deixando as brincadeiras de lado....... Sistema modular ao meu ver, simplificando, trabalhar com uma linha de módulos pré-definidos armazenados em uma biblioteca 3D que possibilita interligar num mesmo sistema projeto + vendas + estoque ou produção + entrega e montagem. Caracteriza-se por produção automatizada e processos padronizados em todas as etapas. Este sistema é uma interação entre o universo digital e o físico.

Já a produção que apelidamos de "artesanal" é a marcenaria que trabalha com móveis sob medida criando projetos e soluções caso a caso possuindo uma maior flexibilidade criativa e a possibilidade de agregar maior valor ao produto/serviço, porém sofre aos bocados com a impossibilidade de manter a organização total do sistema tendo em vista suas constantes variações...

Tenho minhas dúvidas, pois a essência de um sistema funcional é prever situações e padronizar soluções. Neste sentido como criar um sistema que integre todos os processos no universo sob medida sem podar a liberdade criativa? Criação não rima com: padronização, produção em escala, controle total do tempo de execução, etc. Explica isso aí Marquito!!!
Isso não vem ao caso. Devemos analisar que no universo dos móveis sob medida cada solução é exclusiva da situação, projeto e cliente em específico e dificilmente esta solução em seus mínimos detalhes servirá para outro serviço. Lembrando que estou falando de projetos realmente exclusivos e complexos (eis a dica do contra-argumento...) onde elaboramos um puta projeto, e o protótipo de teste passa a ser o próprio serviço que será entregue com os seus erros e acertos sem a mínima possibilidade de jogar tudo fora e recomeçar novamente. Todo esse processo pode muito bem ser totalmente informatizado, mas essa opção só se tornaria realmente um diferencial em potencial se esta solução pudesse ser reproduzida outras vezes, caso contrário não teríamos ganho significativo, pois criar do zero no computador o no papel é a mesmíssima coisa e no computador pode até ser mais difícil se as ferramentas do programa não forem dedicadas a área de criação (engenharia, design ou arquitetura). (Neste ponto existe outro contra-argumento de total coerência).

Não interessa se a solução já foi testada por Deus e o Mundo!!! Se minha equipe nunca usou um trilho de porta de correr com amortecedor de determinada marca/modelo, eis que isso será uma novidade que acarretará uma experimentação. Para isso será preciso ler o manual de instalação e quem sabe testar a ferragem em gabaritos (portas em escala menor usando sobras) sem contar que o fator peso e empenamento não poderá ser testado neste gabarito, mas tocamos o barco assim mesmo. Aí só depois deste teste poderemos tocar o barco fazer o projeto executivo, listagem de peças e plano de corte respeitando as folgas necessárias e demais detalhes da ferragem em específico. ............... Agora digamos que no meu campo de atuação, pedidos deste tipo são tão raros que quando for executar outro serviço parecido nem esta ferragem modelo/marca estará disponível necessitando assim nova atividade laboratorial/experimental... hehehehe É DISSO QUE EU ESTAVA FALANDO!!!!

Vamos mudar de lado no debate agora......O primeiro contra-argumento esperado era que projetos exclusivos representam no máximo 10% da produção. Que o resto é tudo caixaria que em nada muda do sistema modular. Então podemos padronizar e informatizar todo o processo. Que a utilização de ferragens e processos que fogem da rotina são casos "pontuais".......... Já no segundo contra-argumento seria esperado a citação do fato que por mais especial que seja o projeto/serviço, eis que este fator especial representa mais ou menos 10% do todo, sendo assim os 90% restantes não fogem do padrão adotado podendo ser totalmente sistematizado. Ou seja, separamos a(s) peça(s) extraordinárias do todo, produzimos separadamente e o resto é pau na máquina! ..............Simples!!!!!

Concordo que 100% pode ser informatizado, mas que no universo sob medida só se torna interessante, necessário, produtivo informatizar (sistematizar) 90%. O restante é mais rápido fazer à moda antiga! E esses 10% é a cerejinha do bolo, o diferencial da pequena marcenaria na competição contra as grandes marcas. Setorizar a equipe é uma saída. Pegamos mão de obra barata para apertar os botões e mão de obra especializada para decidir quais e quando apertar os botões e os "artesãos" para os casos especiais e montagens complexas.

O caminho é este mesmo! Na minha lógica o camarada têm todo o direito de ficar alisando gabinetes redondos desde que o restante da equipe estejam metendo o pau na produção do simples (caixarias). Lembra quando defendi que o tempo do patrão na marcenaria por determinada ótica NADA VALE? Que se for pra alisar curvas ou ficar adulando clientes ele é a pessoa mais adequada? Lembrando que se ele não fizer isso alguém vai ter que fazer, e essa mão de obra é tão rara quanto cara e de certa forma improdutiva a olhos leigos!!!

(...)(...)(...)

Luiz Mariano (MARCENEIRO)