terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

[Design de Móveis] Sofá Mariano by Cézar Augusto


Agora vai virar moda um designer provocar o outro! kkkk
Não tenho culpa nenhuma nesse cartório, eu não provoco ninguém! rrssr
NUNCA!!!

Apresentação do Sofá Mariano
 (Postado no Grupo: Veja Aqui)

Quando o Luiz Mariano começou com essa de 'provocar' os outro com móveis, pensei, poxa tenho que dar o troco... aí pensei, o que seria um móvel mariano? teria que ocupar espaço, vazar informação, ser um pouco difícil de executar e de manter, teria que ter um elemento vernáculo (kkkk), teria que ter alguma coisa com função duvidosa e ser igualmente acolhedor... então desenhei o sofá Mariano:






Meu... Adorei a provocação e prometo que vai ter troco. Há vai...
(Gargalhadas Macabras)

Esta criação do meu amigo Cézar está à venda.
Quem se interessar pode mandar um recado imBox para ele 
no perfil do Facebook: Cézar Augusto

Sua primeira peça de cunho artístico autoral já está saindo do 3D...
Ele vendeu sua primeira peça e agora não vai mais parar, com certeza. hehehe




Cézar Augusto

Arquiteto e Urbanista formado pela UFMG

É atualmente estudante de Mestrado em Ambiente 
Construído e Patrimônio Sustentável em UFMG

De Itabirito – MG


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

[Ramo Moveleiro]: Panorama Contemporâneo


Produções contemporâneas inspiradas no neoclassicismo convivem com o modernismo assim como o negro convive com o branco. Para a sociedade contemporânea é impossível adotar um único estilo bem como uma única religião.

O fato é que em nossa atualidade nenhum movimento filosófico conhecido predomina. O que podemos perceber é que cada linha de raciocínio é aplicada na atividade que lhe convém. No caso do ramo moveleiro, por exemplo, cada especialização sintetiza uma forma
diferente de ver as coisas.

Produção em série de móveis voltados às grandes massas é toda baseada nos conceitos modernistas, pois a filosofia é sempre fazer mais com menos e simplificar ao máximo os processos para reduzir custos, o valor que prevalece é produzir algo que seja útil e caia no gosto do maior número de pessoas. O consumidor é tratado como usuário. Razão acima da emoção.

Já para o ramo de móveis projetados sob medida poderíamos classificar o pós-modernismo como predominante, já que a personalização e exclusividade que valoriza o gosto pessoal do indivíduo estimulando o sentimento de posse é a premissa básica desta atividade. Vários signos são anexados ao projeto.

Podemos incluir também os móveis avulsos de cunho autoral na linha pós-modernista, pois neste caso o produto assume uma gama maior de signos agregando um valor artístico. São exploradas certas necessidades complexas do ser humano que regem sua interação com a sociedade mexendo com o lado emocional do consumidor.

Em todos os casos a atual preocupação com a sustentabilidade se faz presente. Isso passou a ser requisito básico para a sobrevivência das empresas, mesmo que só aplicada superficialmente. Mas aos poucos isto esta deixando de ser apenas uma ferramenta de marketing para assumir resultados mais concretos.

Agora falando de modulados é fato que o “styling” predomina, onde o novo pelo único valor de ser novo é aplicado. Este mercado segue a mesma linha do ramo de vestuário onde uma pequena classe de criadores regem a moda que é absorvida por todo o seguimento nos dois hemisférios do globo. Obviamente que os conceitos modernistas prevalecem na linha de produção, mas no resto valores complexos são anexados ao produto. Valores extremamente efêmeros, mas não menos importantes perante a sociedade.

Com certeza em todas as especializações os conceitos se misturam, e em situações especiais ora um prevalece, ora outro predomina. Mas precisamos deixar claro que movimentos ultrapassados ainda se fazem presentes. Esta antiga necessidade de copiar o passado nunca vai acabar. Muitas empresas adotam um estilo retrô com uma interpretação atual utilizando os materiais disponíveis somado aos avanços tecnológicos. Atitude bastante criticada pelos teóricos de plantão, mas vai de encontro com uma necessidade complexa de consumidores que buscam um passado, e na falta de algo verdadeiro acabam consumindo estes produtos. Mas ao mesmo tempo é uma negação dos erros e defeitos que esse passado verdadeiro revela, pois mesmo podendo adquirir móveis antigos (vintage) o indivíduo prefere a ilusão de reescrever o passado com um aspecto perfeito, novo. Desprezando o fato de que esses erros e defeitos caracterizam a própria história do móvel, da família, pois cada risco de um tampo representa a ação de uma pessoa, uma vivência, um acontecimento, uma lembrança. Não levemos em consideração que a história que os móveis de antiquário possuem é a história de outras pessoas, de outra família, já que de certa forma o valor continua, pois o que prevalece é o espírito coletivo onde a história pertence a todos e um dá continuidade à história do outro.

Mais um atrativo dos móveis antigos e por conseqüência dos retrô são os ornamentos predominantes que cultuam a natureza, tendo em vista que ela está em evidência hoje, ontem e sempre.

Nesse contexto fica claro que nossa sociedade experimenta uma liberdade jamais vivenciada anteriormente. Um indivíduo que queira montar um boteco, por exemplo, jamais vai pagar mais caro num banco assinado por um renomado designer se sua necessidade se concentra apenas na utilidade do banco. Já para um balcão de espera de um restaurante fino a coisa muda de figura. Cada caso é um caso! Até pouco tempo atrás a ordem era que todos os bancos deveriam ser apenas bancos (modernismo), e mais atrás todos os bancos eram “obras de arte” carregados de ornamentos (classicismo, rococó, neoclassicismo, renascentismo, etc.). O consumidor não tinha muita escolha e os que teimavam em não seguir os padrões adotados pela sociedade eram repudiados pela mesma. Alguém pode até dizer que bancos simples sempre existiram. Sim, é verdade! Mas em determinada época para fazer parte da sociedade você tinha que sentar no banco e frequentar o local que ela determinasse como o modelo adequado.

Não podemos classificar e muito menos denominar o movimento filosófico atual. Isso fica a cargo dos futuros historiadores, mas é evidente que houve uma evolução, pois os aspectos positivos de cada movimento do passado estão sendo aproveitados e freqüentemente questionados. Creio que a razão sempre predominará, pois assumir e conduzir a emoção e os sentimentos é extremamente racional.

A palavra de ordem é SOMAR!

Santo André, ‎22‎ de ‎Março‎ de ‎2012

+Luiz Mariano

(MARCENEIRO)


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

[Design de Móveis]: Criações 3D / Luiz Mariano:

Fiz tudo na zueira, mas são peças executáveis!!!hehehe


Bancada Mondriânica: 
As peças se encaixam e se movimentam permitindo várias configurações.






Bancada Assimétrica:
A busca contínua das formas inusitadas.





Banco de Shopping Cata-Puta:
O conceito é utilizar caibros e fazer cortes apenas no comprimento. 
O suposto erro no título foi uma gozação proposital.




Banco Gafanhoto:
Este tenho um encomendado!!hehe
Assim que eu fizer posto as fotos aqui.






Banco Erótico:
Inspirado numa mulher de quatro! hehehe
Esta provocação eu fiz para ilustrar um tema de um debate que participei 
numa comunidade do Orkut há trocentos anos atrás. kkkk




Bangata:
Uma das criações mais populares que fiz.




 Linha Cisne:
A ideia é usar o Compensado Flexível.



Linha Leque: 


Protótipo da Cadeira Leque:
Elaborado com sobras de MDF.



 Casa Maluca
Nesta proposta bastou elevar/inclinar o piso no canto para "desconstruir" 
todo o projeto obtendo um resultado estético bem confuso. hehe
 

Linha Cata Vento:




Mesa de Canto:
Gavetas c/ Abertura Automática ao Toque.


Mesa de Encaixe:




Mesa de Centro
Exageradamente decorada com figuras vazadas e tampo 
de vidro em forma de coração como provocação.




Mesa Gestalt:
Esta mesa foi criada para demonstrar e defender as Leis de Gestalt aplicadas em móveis.
Segue o link do tópico em questão: Gestalt.






Zueiras e mais zueiras:
O conceito foi pegar qualquer coisa e transformar em móveis.
O intuito foi testar minha capacidade criativa.







Home:
A busca contínua das formas inusitadas.[2]





Bancada Retrô:
Fui desafiado no grupo de marcenaria a fazer uma 
interpretação moderna utilizando estes pés clássicos. Pegando a
peça da direita como referência criei a da esquerda.




Mesa Semiótica:
Esta composição criei para um tópico sobre semiótica aplicada a interiores.
Segue o link sobre este tema: Semiótica





Cadeira Desmontável:
Esta foi uma provocação de uma amiga virtual que 
simulou uma encomenda/desafio. hehe




Mesa Êntase:
Reprodução em um móvel do efeito das antigas colunas gregas que 
possuíam afunilamento para anular o efeito da 
perspectiva em determinado ponto de vista.






(MARCENEIRO)






terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Qual Seccionadora comprar? Vertical ou Horizontal? Por que?


Muita gente quando fala em seccionadora acaba generalizando, achando que é tudo a mesma coisa, porém não é. Vou falar um pouco sobre cada uma e seu uso e aí depois vamos tirar nossas conclusões a respeito. E muito comum o marceneiro achar que uma seccionadora vai melhorar sua produção, porém se a compra não for bem orientada você pode terminar com um imenso elefante branco na sua marcenaria. Nem sempre tamanho e funções via botão são as melhores opções na hora de cortar. E fato que a seccionadora (quando com a serra certa e a manutenção em dia) irá cortar com mais precisão que a boa e velha esquadrejadeira e acaba com aquele velho habito de passar os cortes no desempeno. Porém se você procura produtividade e trabalha com móveis sob medida sentirá que uma seccionadora vertical talvez não te dê a velocidade que você precisa, isso porque o processo de corte se torna um pouco moroso, pois a chapa fica parada e quem avança e a serra ou o conjunto riscador e serra. Agora imagine cortar quatro gaveteiros, gabinetes de cozinha inferior com sarrafos, portas de várias larguras... Aí a coisa fica um tanto quanto complicada. Essa é uma seccionadora simples horizontal a qual costumamos chamar de produto de entrada:




Essa e uma versão simples com carregamento manual de chapas e sem avanço automático de corte e sem impressão de etiquetas de corte. Geralmente o marceneiro quando pensa numa seccionadora é essa imagem que lhe vem à cabeça. Essa seccionadora atenderá as expectativas de quem quer uma máquina fácil de operar, porém precisa de um corte com mais precisão. E muito comum vermos em marcenarias de pequeno porte os marceneiros e ajudantes usarem a seccionadora como se fosse uma esquadrejadeira, cortando de tudo nela. Isso acaba com a máquina e joga o preço da manutenção lá nas alturas. E uma máquina que vai ser muito útil para cortar laterais de armários, peças retas em geral sem muita variação de medidas no plano de corte, haja visto que você precisa movimentar muito a peça na máquina para fazer diversos cortes, isso implica em perda de tempo e riscos de danificar as peças.

Quando o marceneiro, porém já está em um estágio onde ele já consegue programar sua produção de armários de quarto e cozinha e tem um padrão mesmo que mínimo já estabelecido para fabricar esses itens ou outros que sejam passíveis de padronização, vemos esse produto como um produto atrativo:




A seccionadora com pinças e uma máquina que a priore faz a mesma coisa que uma seccionadora sem pinças, porém ela consegue efetuar o corte automaticamente empurrando a chapa para frente e para trás. Esse modelo já tem na sua carcaça um monitor e um teclado onde são programados os cortes e também onde fica a impressora de etiquetas. E muito comum encontrar máquinas como essas sub utilizadas em marcenarias fruto de uma compra sem orientação. Essa máquina além da precisão da anterior traz como benefício o avanço e retrocesso da peça acoplado, o que eleva o grau de precisão a níveis surpreendentes. E uma máquina que conversa com sistemas de gestão onde o plano de corte pode sair diretamente de um programa de ERP ou do Promob Cut ou do Corte Certo ou do Lepton. Além de gerar etiquetas ela apresenta no seu visor um modelo da chapa a ser cortada. Porém para o mercado sob medida onde se precisa cortar rápido peças de medidas muito variadas no mesmo plano de corte essa máquina também será lenta.

As seccionadoras verticais a meu ver são as ideais para o mercado sob medida, pois quem se movimenta é o carrinho de corte, e não a chapa, o que torna o processo de corte super rápido e menos cansativo para o operador. Essas máquinas ocupam um quarto do espaço de uma seccionadora horizontal e sua manutenção e bem mais barata. A troca da serra e do riscador na maioria das marcas acontece em uma posição extremamente favorável ao operador o que torna o setup e a manutenção muito curtos contribuindo para que todo o processo seja mais rápido. Muitas já vêm com a impressora de etiquetas, porém para sistemas de automação aonde a informação vem direto de um programa ERP o processo teria mais duas etapas, pois dependeria do operador. A produtividade que ela proporciona em peças de medidas variadas acaba compensando um processo a mais na hora de cortar e mesmo que o operador precise parar para "ler" o plano de corte. Todas elas precisam de uma rede de ar purgada e um bom sistema de exaustão. Quanto mais sofisticadas mais delicadas elas serão na sua manutenção e na prevenção contra defeitos.

Concluindo: Se você quer fabricar móveis sob medida e não quer automatizar nada e precisa de velocidade nos cortes sua máquina será uma seccionadora vertical. Não vou me referir as seccionadoras de maior porte ou aos centros de nesting porque não e esse o foco. Já tive a oportunidade de implementar os três tipos aqui citados e posso garantir que lendas urbanas como o efeito banana que alegam existir nas seccionadoras verticais é coisa de máquina com péssima manutenção ou operadores negligentes, porque estando a máquina em boas condições ela irá cortar tão bem como uma seccionadora horizontal.

Outro ponto importantíssimo a ser visto na hora de comprar uma máquina destas é a hora técnica e a base instalada do fabricante na sua região. Isso pode tornar um investimento que a princípio pareceu barato em uma dolorosa conta no final do processo.


















+Anderson Martins

Consultor Especializado no Ramo Moveleiro.
Ministra cursos de Promob por todo o Brasil e dono do maior grupo do Facebook direcionado ao assunto: Promob: Dicas e Ferramentas


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A forma segue a função?



Como não posso ser complacente com essa aversão infundada e tendenciosa à decoração pretendo aqui tentar esmiuçar um pouco esse tema e quem sabe motivar aos amigos do grupo defenestrar de sua consciência esse preconceito congênito e quase arquétipo que se estende a toda sociedade.

Tanto o designer quanto o arquiteto defende fervorosamente que seu trabalho parte da premissa de equilibrar função e estética. Mas o que vem ao certo ser função e estética e quais suas implicações? Pois bem... Função está ligada à utilidade prática do objeto/ambiente, já a estética busca a harmonia das formas. Mas ao inserirmos a preocupação estética ao nosso trabalho, eis que inúmeras vezes transgredimos a própria função que se perde em meio a um turbilhão de valores simbólicos. Na arquitetura e no design a função sempre fica em segundo plano, consciente ou inconscientemente.

No intuito de embasar meus argumentos posso citar Jean Baudrillard em “O Sistema dos Objetos” onde ele afirma que só o objeto técnico no âmbito da aeronáutica, marinha, os grandes caminhões de transporte, as máquinas aperfeiçoadas, etc., segue intrepidamente sua função numa linha quase pura. Nesses objetos a preocupação estética é totalmente desnecessária e inexistente. E isso também pode se estender aos ambientes. Já o objeto cotidiano e o ambiente de uso comum possuem sua função deturpada pela preocupação estética submissa a efemeridade da moda e seus valores subliminares.

Ora! É fato que a decoração é uma ferramenta intrínseca à busca da boa forma (estética), pois só a manipulação da forma é por vezes insuficiente ao ato de harmonizar o objeto/ambiente. Neste sentido é do entendimento de todos que o ato de decorar (que aqui podemos adotar sinônimos mais eufemizados como ornamentar, enfeitar, adornar, embelezar, etc.,) não pode ser dissociado da estética. Vejam bem que decorar é muito mais do que apenas escolher vasinhos bonitos, cortinas elegantes e peças assinadas por designers famosos. Praticamente tudo o que fazemos é decorado, e no objeto/ambiente moderno podemos até afirmar que os adornos em sua antiga manifestação foram abolidos, mas na verdade eles só mudaram de aspecto, pois hoje brincamos com as nuanças das cores, texturas, brilho, fosco, acetinado, rústico, liso, etc. Até o ato de inserir no ambiente ou associar ao objeto elementos da natureza como fogo, ar, água, terra quando foge da necessidade funcional é decoração, mas mesmo possuindo uma função ainda pode ser decorado e/ou decorar. E mesmo na busca desvairada pela boa forma cometemos o pecado de decorar, pois ao aumentar, diminuir, extrair ou inserir partes desnecessárias ao objeto/ambiente estamos decorando.

Qual seria a origem “patológica” dessa aversão desmedida?

Modernismo x Revolução Industrial é a resposta com certeza! Tendo em vista que a racionalização excessiva de tudo e de todos que predominou nesta fase de mudanças extremas violentou a relação do ser consciente com seu inconsciente criando um hiato entre ambos. Com isso o ser humano perdeu o significado de sua vida ao negligenciar parte tão fundamental de sua psique e o sentimento de que “Deus estava morto” passou a dominar esta fase negra marcada pelos absurdos causados pela loucura coletiva antagônica ao racionalismo, ou seja, em sua busca frenética pelo que era racional o homem conheceu o lado mais sombrio do seu irracional (o Nazismo é o melhor exemplo disso). Neste campo ligado à psicologia eu invoco “O homem e seus símbolos” de Carl G. Jung onde ele defende todas as manifestações do subconsciente, e a decoração é uma delas, como algo essencial ao equilíbrio mental do ser humano. Digamos que tudo o que é belo é uma expressão do subconsciente. Mas voltando ao Jean Baudrilhard, eis que isso também serve como expressão racional do ser para com outro ser e para com a sociedade a qual pertence. É através dos objetos/ambientes que transmitimos as mais variadas e complexas mensagens subliminares aos demais humanos além de tentar suprir nossas próprias necessidades complexas. Podemos citar como exemplo o macho que possui um pênis pequeno e busca no carro uma forma de compensar o que lhe falta e a mulher que sente um vazio interior que abarrota sua casa com quinquilharias no intuito de preencher este vazio. Mas por outro lado esse macho pode apenas estar querendo alcançar certo status perante a sociedade e essa fêmea pode estar buscando embelezar sua casa para concorrer com suas amigas e familiares.

Se até os defensores do abstrato falharam na sua luta contra o naturismo expressando sua arte inconscientemente inspirada na microfísica (O homem e seus símbolos), eis que de forma análoga os designers e arquitetos repudiam a essência do seu trabalho ao taxar tão negativamente a decoração ou rebaixá-la a uma mera “cerejinha do bolo”.

Mas deixando as divagações de lado e voltemos aos fatos finalizando esta postagem...
Todos os seres humanos são decoradores em potencial. E os designers e arquitetos possuem este potencial melhor desenvolvido. Sendo assim o seu trabalho é proporcionar e facilitar uma comunicação mais eficiente entre o cliente e seu interior e principalmente com o exterior (não só com o consciente, mas com o inconsciente alheio e coletivo também).

No fim somos todos decoradores que vendem status. E até ao negar a busca pelo status assumimos um determinado status!

Santo André, 17 de julho de 2013.



(MARCENEIRO)




sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O Fim da Tirania Arquitetônica

Estudar cinco anos ou mais em uma academia para conquistar um diploma mexe com a cabeça das pessoas. Um pensamento Lloydiano toma conta do recém formado e pode perpetuar por toda uma vida profissional. Essa linha de raciocínio do século passado, completamente ultrapassado, que o importante arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright (1867-1959) defendeu, consiste em conceber e realizar o projeto da planta às luminárias seguindo uma ornamentação orgânica onde cada peça inserida faz parte da obra como as folhas fazem parte da árvore. Especializado em projetos residenciais, Lloyd contratava vidraceiros, marceneiros e serralheiros para seguirem seus projetos à risca nos seus mínimos detalhes. Qualquer alteração não determinada por ele antes ou depois da realização do projeto eram abominadas e interpretadas como foco perigoso de contaminação decorativa. Com seus projetos totalmente autorais ele considerava ornamentação como parte intrínseca de sua arquitetura enquanto os demais não passavam de decoração banal e fantasmagórica. Sua perseguição à decoração não se limitou aos artesãos chegando ao cúmulo de proibir categoricamente intervenções ornamentais dos próprios moradores. Para estes ele costumava dizer que o direito à decoração se resumia às flores frescas em belos vasos no nicho reservado a eles. O brilhantismo e a importância deste personagem (Lloyd) é incontestável, mas o avanço da arquitetura moderna sobre as artes decorativas resultou no seu empobrecimento. E percebemos fortes vestígios desta estratégia de atuação retrógrada em nossos arquitetos contemporâneos que teimam em impor à sociedade seu conhecimento acadêmico como verdade absoluta que na prática não representa a realidade. Em contrapartida existe a outra leva de arquitetos decoradores que teimam em seguir à risca os modismos do mercado com seus ornamentos banalizados, arquitetos estes que o próprio Lloyd e muitos outros já repudiavam com veemência em suas épocas.

Mas mesmo hoje sabemos que existem arquitetos e arquitetos, e já naquela época existiam profissionais de forte expressão que defendiam uma filosofia de certa forma oposta, mesmo continuando na linha modernista completamente avessa ao ornamento supérfluo. O arquiteto austríaco Adolf Loos (1870-1933) foi um bom exemplo. Segundo Loos, livres da influência dos artistas e arquitetos, os artesãos eram capazes de criar uma linguagem moderna para os objetos. Se os artistas decorativos estavam permanentemente preocupados em aproximar a arte da vida e em realizar formas radicalmente novas, e se os arquitetos eram incapazes de se desprender dos repertórios ornamentais, os artesãos, segundo Loos, faziam aquilo que precisava ser feito, ou seja, procuravam investigar as qualidades de cada material de modo a atender às necessidades objetivas de seus clientes. Embora não estivessem preocupados em criar coisas absolutamente novas, os artesãos, segundo ele, eram insuperáveis na criação de formas genuinamente modernas, mais simples e despojadas. O segredo da sua modernidade espontânea e imediata estava no alto grau de intimidade estabelecida com os materiais.

“Quando se trabalha unicamente a pedra, consegue-se pensar pedra, ver pedra. O homem tinha um olho pedra, que petrificava todas as coisas. O homem tinha adquirido uma mão de pedra, que transformava tudo espontaneamente em pedra. Sob o seu olhar, na sua mão, a folha da vinha, a folha do acanto, tinha um aspecto diferente daquele que sob o olhar, na mão, do ourives. Pois esse via tudo em ouro.” (Adolf Loos em “Os móveis de 1898”).

Naquela época na Inglaterra uma forte corrente mais centralizada nas atividades dos ceramistas, expeliu os artistas e arquitetos. Os ingleses diziam que não se deve desenhar, é preciso fazer. Misturem-se às pessoas e procurem saber o que querem. E quando vocês tiverem compreendido suas necessidades reais, ponham-se diante do forno ou do torno. A partir deste ponto o consumidor final adquiriu o hábito de ir encomendar suas cerâmicas direto ao ceramista.  Adolf Loos atento a esta corrente percebeu que ela se alastrou por toda a Europa influenciando outras atividades artesanais.

 Voltando à nossa realidade atual, eis que a coisa se repete. Não vamos entrar no mérito da importância do arquiteto para a construção civil que já se encontra bem abalada. Vamos focar em interiores onde se tornou comum o morador assumir a ornamentação de sua residência somando capacidade criativa aos artesãos. Precisamos de móveis sob medida vamos ao marceneiro, precisamos de vidros vamos ao vidraceiro. E com a era da informação livre e de fácil acesso podemos perceber uma evolução jamais presenciada dos projetos auto-concebidos. Fora o acesso livre também ao campo teórico/acadêmico onde basta possuir interesse pra ler os mais diversos livros, campo fértil aos autodidatas como eu. A própria ferramenta “projeto” caiu em domínio público e diferente dos ceramistas ingleses de outrora que dispensavam o desenho, eis que atualmente até um simples marceneiro pode se apropriar de avançados programas que geram projetos em 3D que são automaticamente transformados em executivos facilitando a expressão de seu impulso ornamental somado à sua capacidade criativa. Mesmo antes do projeto virtual, estes artesãos já dominavam o traço à mão livre e com um simples rascunho criavam peças com formas e ornamentos genuinamente contemporâneos. E exatamente por seu trabalho se afastar do extraordinário e muito menos cultivar esta pretensão, ele se mistura ao que é comum, passa despercebido e não é classificado como arte. Mas o que seria arte hoje em dia? E principalmente o que seria ético? Pois ornamentar móveis e construções seguindo estilos ultrapassados é no mínimo questionável. Não conhecer da história da arte permite ao artesão viver o presente.

Obviamente que como Marceneiro acabo enaltecendo o trabalho do artesão e valorizando sua importância perante a sociedade contemporânea. Ao contrário do que muitos pensaram, a indústria com sua produção em série não conseguiu no auge de sua perfeição e eficiência atender a todas as necessidades complexas do ser humano. E assim, em pleno século XXI, eis que o artesão volta a ganhar lugar de destaque. Estamos passando por um momento histórico onde a palavra de ordem é SOMAR, pois em uma residência atual o objeto industrializado divide espaço com o artesanal. Deixamos a máquina fazer o que ela faz melhor e o artesão se encarrega de chegar aonde as máquinas não chegam, realizar o que elas não realizam, muitas vezes, mais por questões financeiras em relação à quantidade de peças a serem executadas do que pela falta de capacidade por parte da máquina em realizar determinada tarefa. Na verdade o artesão contemporâneo esta se apoderando das máquinas e inserindo elas em seu meio produtivo elevando seu trabalho a um nível impressionante. Hoje é comum em uma pequena oficina de marcenaria a presença de um sofisticado Centro de Usinagem CNC disputando tarefas com o serrote e a plaina manual.  Outra questão que valoriza ainda mais quem “Poe a mão na massa” é a banalização e desvalorização generalizada da formação acadêmica. Fato este que proporciona ao artesão sem formação ser mais bem remunerado que o profissional graduado. Situação que só tende a se agravar aqui no Brasil seguindo os moldes europeus.

Hoje em dia a presença do arquiteto se resumi a vender status e para isto basta possuir um bom marketing para criar um nome no mercado. Ele não é pago pelo projeto e sua importância na concepção da obra/espaço, e sim pelo status que sua assinatura pode proporcionar ao cliente perante a sociedade, comportamento este que se restringe e é freqüente às classes burguesas. Mas mesmo esses indivíduos que ainda consomem este serviço acabam por contratar artesãos para complementar e quem sabe até modificar os projetos durante ou depois da obra. Virou rotina fazer a cozinha, por exemplo, que é o centro das atenções contemporâneas, com uma marca renomada de mobiliário possuindo a assinatura de um arquiteto e os demais cômodos passar para marceneiros/empresas anônimas fazerem.

Minha meta é ir além. São mais de dez anos dormindo e acordando pensando em móveis. Jamais um arquiteto que precisa se preocupar com a concepção e talvez execução de toda uma obra conseguirá competir com um profissional especializado como eu. O máximo que ele pode fazer é apontar o norte, pois basta uma questão técnica para ser necessário mudar toda a configuração de um projeto, ou seja, é mais fácil meu projeto influenciar o dele. Neste ponto tenho que concordar com Frank Lloyd, pois os  móveis podem levantar novas necessidades e/ou erros de lógica da construção, por isso fica difícil separar a obra da composição interior. É como o arquiteto Louis Sullivam (1856-1924) que influenciou e empregou Lloyd disse: “A forma segue a função.” Afirmação esta que sugere uma supremacia da função sobre a forma, mas que na verdade, segundo Sullivam, tratasse de uma relação recíproca. Acho muito interessante essa ideia que Lloyd defendia de uma única pessoa juntar todos os pontos desde a planta até as luminárias, mas para mim a participação das partes envolvidas é crucial. O ato criativo deve ser multidisciplinar. Cabe ao arquiteto separar o joio do trigo e conduzir a todos com seus argumentos. Postura esta muito diferente da tirania de Lloyd. Recentemente visitei uma obra onde as janelas dos banheiros não foram pensadas levando em consideração a instalação do box. Foi preciso um marceneiro mostrar o erro. O “arquiteto” chegou a perguntar ironicamente se eu era vidraceiro. Para fazer a adequação toda a estética simétrica da fachada seria comprometida ou o morador teria que engolir um box dividindo a janela ao meio. Detalhes, apenas detalhes, mas a perfeição mora nos detalhes.

Hoje defendo e é cada vez mais comum o cliente chamar o projetista de móveis antes de executar a reforma, pois assim o projeto exerce sua principal finalidade de prever possíveis mudanças ocasionadas pela falha de planejamento antes que elas se tornem evidentes a qualquer ser comum, e intervenções mais complicadas e onerosas se tornem necessárias. Para piorar chega a ser patética a tentativa argumentativa por parte do arquiteto em defender o erro como algo certo, algo pensado, chegando ao cúmulo de colocar a preocupação estética sobre a necessidade funcional do espaço, passando a defender a arte do improviso (verdadeiras gambiarras) para adequar o uso ao projeto, não admitindo possíveis intervenções na ideia original diante à variável eminente, mesmo durante a obra onde tal alteração não ocasionaria maiores gastos, pois para ele a função, o uso possui menor valor do que seu projeto e o morador é um mero coadjuvante. Assim o morador passa a ser apenas um usuário obrigado a sobreviver no espaço, privado da possibilidade de vivenciar o prazer de ora pertencer e ora possuir o mesmo, expelindo qualquer sentimento de valor. Não sou idiota a ponto de desconhecer a carga burocrática que pesa sobre os ombros do arquiteto que muitas vezes inviabiliza mudanças drásticas durante a obra, mas quem esta falando de grandes mudanças, estamos falando de detalhes que passam despercebidos aos olhos menos atentos que ocasionam grandes tormentos ao morador na banalidade do uso diário do espaço. Mesmo as mudanças drásticas poderiam ser previstas se o arquiteto fosse capaz de conduzir um debate sadio entre as partes envolvidas na obra em conjunto ao futuro morador já no estudo inicial. Para isso defendo a Maquete Virtual como forte ferramenta. Ela deve ser criada antes e não depois do projeto executivo, e com esse material em mãos o arquiteto pode se comunicar com eficácia com as partes envolvidas e muitas vezes ele mesmo com sua experiência pode assumir um olhar crítico sobre outra ótica perante seu projeto.

Não é segredo minha paixão pela arquitetura e aversão aos arquitetos. Rivalidade esta que visa um debate sadio e uma relação de igualdade entre as partes. Meu foco é cutucar os Leões adormecidos em sua inércia cômoda e segura. Assim como Adolf Loos, defendo que o arquiteto precisa pensar como artesão para ir além e agregar valor ao seu trabalho, mas infelizmente o cenário atual demonstra a incapacidade até mesmo do arquiteto em pensar como arquiteto.

Santo André, 26 de Fevereiro de 2012.

Fonte de Pesquisa: A Beleza sob Suspeita de Gilberto Paim.